Women at work

60 mulheres, 3 gays e um hétero.

Essa é a realidade nua e crua da agência de comunicação onde eu trabalho.

Tudo acontece ao mesmo tempo: choro (muito choro), risadas, reclamações, trocas de segredos (nunca tão secretos assim), comentários sobre a novela, sobre regime, sobre homens, sobre ansiedade, sobre onde fazer a unha, sobre como nunca temos dinheiro pra nada. Existe a porção séria que discute política, religião, psicologia e futebol (sim, futebol é sério).

As solteiras reclamam de carência. As casadas reclamam do marido. Os gays reclamam que a gente reclama. O coitado do hétero fica quieto.

Tem aquela que acabou de casar, aquela que quer separar, a que ainda ama o ex, a que cada dia ganha flores de um cara diferente. Tem a que tem um caso um cara casado, a que está indo morar junto com o namorado de infância. Tem a que namora dois ao mesmo tempo e que aquela que descobriu os prazeres da solteirice.

Todas reclamam o dia inteiro que estão gordas. Na hora do almoço, elas voam pro Ritz pra se entupir de bolinho de arroz.

Uma fiscaliza o ex da outra e filtra o que vale ou não ser contado. Peguetes novos são avaliados meticulosamente e quase nunca passam pelo tribunal das solteiras carentes e casadas de saco cheio.

Todas bebem em excesso e acreditam que a garrafa é o caminho da alegria.

James Franco, Ryan Goslin e Johnny Depp são unanimidades. Gisele e Angelina também (trabalhar com moda é sentir inveja em tempo integral).

Terapia, taróloga, astróloga, cabala, igreja. Todas acreditam em alguma coisa e tem medo de macumba. Pior que isso, só praga da ex do seu atual ou da atual do seu ex. Credo!

A TPM é conjunta e um tsunami de drama invade o escritório mensalmente. Não há chocolates, remédios ou lenços de papel suficientes no mundo para conter essa força da natureza.

Nenhum assunto dura mais do que um minuto em um ambiente como esse. O poder feminino de associar histórias é assustador.  A viagem de férias de uma, lembra a outra da receita, que faz a outra lembrar que tinha de ter levado a filha ao médico que termina com a outra dizendo que é por isso que nunca terá filhos.

E no meio disso tudo, a gente encontra tempo pra ser competente e fazer sempre melhor (com a unha pintada e o cabelo escovado, claro).

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8 respostas para Women at work

  1. Lia disse:

    Ahahahahahaha…..Adorei o texto! Aliás, eu AMO seus textos!!!!!

  2. Ana Paula Dourado disse:

    Excelente, Amanda!!! Parabéns!

  3. Lais disse:

    Sabe Amanda eu acho que você devia ser roteirista de filme. Você conta suas histórias, de um jeito tão gostoso, parece que a gente vive tudo junto com você, se emociona, da risada, e pensa “é eu também já passei por isso”. Sempre que eu termino de ler seus textos penso nossa isso dava um bom filme. 60 mulheres juntas = hospício rss

    • afoschini disse:

      Laís, não tenho mérito nenhum nessa histórias de maluco. Só olho com mais atenção pra essa vida louca que a gente vive…
      Bj

  4. As Mina Pira disse:

    Onde fica essa agencia? Tao contratando Heteros 🙂

    • afoschini disse:

      Olha, preciso dizer que nenhum hétero durou mto tempo por lá. Aliás, o hétero do texto já pediu demissão.

  5. Isadora disse:

    eu trabalho na Capricho. Na revista C-A-P-R-I-C-H-O.
    vou imprimir esse texto e distribuir pra redação 🙂

  6. Bianca disse:

    Saudade de trabalhar com você por perto… =( Faz muita falta…

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